Com três protagonistas, narrativa em quadrinhos e uma jogabilidade extremamente precisa, a Tatsujin mostra que tradição e inovação podem voar lado a lado.

Muitos gêneros de jogos foram se perdendo com o tempo. Franquias perderam força ou não conseguiram se adaptar às novas gerações, enquanto parte da indústria passou a apostar quase exclusivamente em gráficos ultrarrealistas. Ainda assim, alguns estúdios nadam contra a corrente, provando que é possível criar jogos visualmente belíssimos e com uma jogabilidade que muitas produções modernas sequer conseguem alcançar.
A Tatsujin resgata uma das franquias mais queridas do gênero shoot ‘em up com Truxton Extreme, que retorna trazendo uma jogabilidade frenética, uma história contada no estilo de quadrinhos animados e uma trilha sonora capaz de despertar a nostalgia dos fãs da série.

Em Truxton Extreme, a humanidade permitiu que uma inteligência artificial assumisse a presidência mundial. Rose tornou-se a líder do planeta e passou a controlar diversos aspectos da sociedade, incluindo a natalidade. Entre as exigências para formar uma família estava o serviço militar. Com isso, Rose criou o programa Tatsujin, no qual voluntários transferem suas consciências para corpos robóticos de alta performance, tornando-se soldados muito mais poderosos que os humanos.
Entre esses voluntários estão os três protagonistas da campanha. Ash decide se tornar um Tatsujin para garantir uma vida melhor para sua esposa e seus dois filhos. Bergamot, filha rejeitada de um importante político, vê no programa a oportunidade de deixar a prisão e buscar vingança contra o próprio pai. Já Cyrilla é uma brilhante especialista em computação que ingressa no projeto para expandir seus conhecimentos, embora seus verdadeiros objetivos permaneçam envoltos em mistério.
A campanha acompanha os três personagens ao longo de seis fases, mostrando os acontecimentos sob diferentes perspectivas enquanto os mistérios da guerra espacial vão sendo revelados. Cada protagonista oferece uma visão própria dos eventos, enriquecendo a narrativa sem comprometer o ritmo da ação.

A jogabilidade é simples de aprender, mas exige dedicação para ser dominada. Decorar os padrões de ataque dos inimigos e entender a disposição de cada fase faz toda a diferença, embora isso esteja longe de tornar a missão fácil. As naves contam com cinco tipos de armas, cada um oferecendo uma abordagem diferente para o combate, desde tiros teleguiados até os tradicionais tiros vermelhos na vertical. Vale a pena experimentar todos para descobrir qual melhor se adapta ao seu estilo de jogo.
Outro detalhe importante é o sistema de velocidade da nave. Ao coletar os power-ups de velocidade, é possível aumentar ou diminuir a velocidade a qualquer momento. Jogar mais devagar oferece maior precisão para desviar dos projéteis, enquanto a velocidade máxima proporciona uma experiência muito mais frenética.



As bombas continuam sendo fundamentais para sobreviver. Elas eliminam projéteis e inimigos próximos, funcionando como um recurso de emergência nos momentos mais difíceis. No entanto, possuem uma área de efeito limitada, então vale a pena utilizá-las próximo aos chefes para causar o máximo de dano possível. Ainda assim, lembre-se que se for acertado uma vez, sua nave é destruída e você retorna ao último checkpoint se ainda tiver vidas. Saber se posicionar continua sendo a chave para sobreviver.
A trilha sonora e os efeitos sonoros são um verdadeiro presente para os fãs de shoot ‘em ups clássicos. Mesmo com uma produção moderna, as músicas preservam a identidade da franquia e reforçam a atmosfera nostálgica. Durante o modo história, porém, algumas músicas ficam muito calmas após acontecimentos impactantes. Essa escolha cria uma pequena sensação de estranhamento, mas não chega a comprometer a experiência.
Visualmente, Truxton Extreme impressiona. A direção de arte é belíssima, os inimigos são criativos e os chefes, apesar de poucos, possuem designs únicos e memoráveis. A inspiração nos dois jogos clássicos da franquia é evidente, tanto no primeiro Truxton, lançado para Mega Drive, quanto em Truxton II, dos arcades. Os cenários são ricos em detalhes, os fundos animados dão vida aos planetas visitados e tudo acontece de forma extremamente fluida, sem comprometer a leitura da ação na tela.

O jogo apresenta muitas qualidades, porém poderíamos ter naves diferentes para cada Tatsujin,. Considerando que cada um deles possui personalidade própria, modelos exclusivos de nave ajudariam a reforçar ainda mais essa identidade durante a campanha. Vale lembrar que skins clássicas e trilhas sonoras dos jogos anteriores podem ser adquiridas separadamente como conteúdo cosmético.
A campanha principal não é muito longa. Cada personagem percorre as mesmas seis fases sob seu ponto de vista, o que torna a narrativa interessante, mas pode causar uma sensação de repetição para alguns jogadores ao revisitar os mesmos cenários três vezes.

O fator replay para jogadores casuais não chega a ser um ponto forte. Além do modo História, o jogo oferece o Arcade, Heart Mode, Team e Arena. Para quem gosta de desafios, há ainda o ranking Online, que certamente exigirá muitas horas de prática para conquistar as primeiras posições.
No fim das contas, Truxton Extreme é uma verdadeira viagem de volta aos grandes shoot ‘em ups que marcaram época nos arcades e nos consoles de 16 bits. A Tatsujin consegue modernizar a franquia sem abrir mão da essência que conquistou tantos jogadores ao longo dos anos, deixando aquela sensação de que terminar a campanha é apenas o começo da vontade de revisitar toda a série.
Truxton Extreme está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam). E, se a vontade de continuar explorando a franquia falar mais alto, Truxton e Truxton II também podem ser encontrados na Steam.

